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 Um tal de Chico


Lúcia andava suspirando novamente pelos cantos, e olha que não fazia nem três dias que Rodolfo tinha resolvido namorar a Joanita. Bem distraída encontra Tereza no Mercado:


-Lúcia querida como estás? Eu soube o que o safado do Rodolfo aprontou, mas o que ele viu naquela sibita hein?


-Que Rodolfo que nada Tereza, meu negócio agora é Chico!


-Chico! Que Chico? Mais já Lúcia, e tu já esqueceu Rodolfo?


-Ah Rodolfo é muito machão, não me compreende, é grosso, a sibita que faça bom proveito dele, agora eu só quero saber do Chico.


-Sim você nem disse quem é esse tal de Chico, ele deve ser bom mesmo pra fazer você esquecer o Rodolfo, tu só faltava morrer por ele.


-Olha Tereza, o Chico me fez entender o valor que nós mulheres temos, ele é encantador, romântico, sensível, parece que ele sabe exatamente o que a gente tá pensando e querendo, sabe?


-Lúcia de Deus! Será que ainda tem um desses pra mim?


-Tereza sabe o que ele me mandou dizer ao Rodolfo, olha só: " Quando você me quiser rever já vai me
encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que sem você eu passo bem demais..." 


-Gostei!


-E disse mais querida: O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes, depois brinca comigo, ri do meu umbigo, e me crava os dentes, ai..."


-Ah sortuda, onde eu encontro um desses?


-Amiga olha a sensibilidade do homem: "O que será que será que dá dentro da gente e que não devia, que desacata a gente, que é revelia, que é feito uma aguardente que não sacia, que é feito estar doente de uma folia, que nem dez mandamentos vão conciliar, nem todos os ungüentos vão aliviar, nem todos os quebrantos, toda alquimia, que nem todos os santos, será que será, o que não tem descanso, nem nunca terá, o que não tem cansaço, nem nunca terá, o que não tem limite..."


-Lúcia, eu acho que tu tá inventando essa história pra gente pensar que tu não tá mais nem aí pro Rodolfo né?


-Mais será possível Tereza, tu acha que depois de ter encontrado Chico, eu vou lá querer saber daquele estrupício do Rodolfo?


-É que fica difícil de acreditar.


-Pois pode acreditar porque Chico existe e tem mais, além de sensível e romântico ele é safadinho, olha só o que ele disse: "Como, se nos amamos feito dois pagãos, teus seios inda estão nas minhas mãos, me explica com que cara eu vou sair..."


-Tô passada!


-E tem mais, me deixa solta, manda eu dizer: "Quero brincar no teu corpo feito bailarina que logo se alucina, salta e te ilumina, quando a noite vem, e nos músculos exaustos do teu braço repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço..."


-Ele é assim mesmo é?


-Isso e muito mais Tereza, ele também mostra um lado triste sabe: "Oh, pedaço de mim,Oh, metade adorada de mim, lava os olhos meus que a saudade é o pior castigo e eu não quero levar comigo a mortalha do amor,
Adeus..."


-Lúcia, eu acho que estou me apaixonando por esse tal de Chico.


-Ele ainda disse mais: "Pode ser que a nossa história seja mais uma quimera e pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar pode ser que passe o nosso tempo como qualquer primavera. Espera, me espera, eu vou voltar..."


-Que mais, que mais...


-Olha só: "Dono do abandono e da tristeza comunico oficialmente que há um lugar na minha mesa, pode ser que você venha por mero favor, ou venha coberta de amor, seja lá como for, venha sorrindo. Ah, benvinda, benvinda, benvinda..."


-Ah Lúcia, pode me apresentar esse tal de Chico porque eu agora estou curiosa pra saber se ele existe.


-Pois então venha comigo lá em casa que eu vou te mostrar minha coleção completa de discos dele.


-Discos?


-Sim, discos. Querida eu estou falando do Chico Buarque, o cantor, ou você achou que existisse um homem desses aqui na esquina, mas vou te dizer, estou muito satisfeita em ouvir meu Chico, vai que um dia apareça um desses lá em casa! Vamos.


-Eu mereço...





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