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Sob o sol

           
          Sombras e dúvidas descansavam  no conforto da sua morada, apoiadas na fraqueza de um ser que mantinha seus olhos fechados por medo de descobrir o que havia na gaveta. Em longos dias confiou  nos seus instintos e se entregou às brisas noturnas que desabrocharam a permanência dos seus sons. Desejos e Lua formavam  o seu mundo, em pleno silêncio percebia as linhas que traçavam a passagem da obscuridão. A porta à frente designava a decisão final. Já  não havia  mais tempo, necessário se fazia prosseguir, e tudo seria deixado para trás como forma de transparecer as virtudes envoltas em seus quereres. 
          Sentindo um desejo imensurável de correr por outros caminhos, viajava em pensamentos que a levava de volta a um tempo perdido. Ao serem tocados os seus cabelos sentia carinhos reais e um beijo suave de quem lhe permitiu  conhecer a vida separou a realidade da ficção. Tudo ao seu  redor parecia  mais  leve, puro, ao respirar a carência nostálgica exposta em lágrimas que jorravam na morbidez finita. 
          Seus medos tornavam-se gigantes nas inquietudes incertas que formavam seus  principais componentes.  A dúvida a afligia, sabia que na gaveta havia algo, mas não se permitia enfrentá-la. Lá fora, à sua espera, sonhos, sons, Lua e estrelas. A sombria noite a aguardava com seus encantos e mistérios. 
          Uma força imensa tomou o seu espaço por um instante e a fez olhar a temida gaveta, ela oferecia o oposto da porta, calor, cores, sons e Sol, a clara manhã a convidava para adentrar na luz. O tempo se esgotou e a decisão teve que ser tomada. Completamente  pressionada e encantada com o que a manhã lhe oferecia, ela fez  sua opção. Um caminho novo a aguardava. 
          O que deveria ser sorrisos transformou-se em frustrações. Vivendo ao sol não sente a razão necessária para permanecer sobre o fim, sua estrutura mostra-se abalada aos efeitos da claridade. Se encontra perdida e lamenta  intimamente a  incorreta escolha. Procura de todas as maneiras um caminho que possa levá-la de volta a sua essência noturna, ao seu verdadeiro lar, cujo ar é mais plácido, a  Lua  bela, e as estrelas consistem o seu som. Enquanto espera, mantém os pés no chão, atravessando barreiras, olhando os lados e vivendo sob o sol.


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6 comentários:

David Bowie disse...

Afinal, é preferível para você a noite ou o dia?

Anônimo disse...

Oi, me add no msn > pedropietro14@hotmail.com

Kelson Freitas disse...

Yes!

A "gaveta" me lembra algo...
rs

David Bowie disse...

A noite é mais preferível para "você"?

Ellys soares disse...

kkkkk...

Kelson, nem lembrava mais da tal gaveta dos troços.

Memória boa hein moço!

David Bowie disse...

Thanks!

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