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Quem era ela?


"O que estaria por trás daquele sorriso? Tristeza camuflada? Vingança? Frieza? Talvez fosse apenas felicidade, simples e óbvia. Mas quem disse que ela era óbvia? Se nem Freud conseguiu dizer com exatidão, apenas revelou que era um continente obscuro. Como ela, que nada entendia de comportamento humano, saberia indicar a saída do labirinto? Era como desvendar o sorriso de Monalisa.

Quantas habitavam sua mente, seus quereres e qual predominava?

Descobriu que as pessoas não mudam; ela não mudou. Continuava ciumenta, teimosa, encrenqueira e sabia ser doce, contar histórias, inventar personagens, mudar as lentes da realidade em busca do cenário do sonho...

Sentia saudade do cheiro da verdade, daqueles que dizem o que pensam, mas, principalmente, daqueles que não fazem a menor ideia de para onde estão indo, por não possuírem a arrogância dos que sabem tudo. Preferiu deixar suas gavetas internas bagunçadas; era assim que se achava.

Sentia as pinceladas do vento no rosto e gostava do arco-íris feito de riso. Ela era a pressa encolhida no meio da timidez ou a garra que a segurava na loucura... Todos os medos não cabiam na proporção exata; eram eles que a cobriam de luz e, às vezes, de escuridão.

Além de mulher, ela era o presente de um verão perfeito, o preto e branco ocasional do inverno e a presença inoportuna da primavera no meio de um outono esvoaçante.

Sim, ela preferia a incerteza dos amores amassados na gaveta do que a perfeição traiçoeira de um amor alinhado e démodé. Ela almejava as nuvens sem se importar com a indisposição da chuva, porque, além de secar-se sob o sol, ela pendurava todas as perguntas na cara do vento."


(R. Fagundes/J. Fuzetto)



/Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada,
Do tempo que transforma todo amor em quase nada.
Mas "quase" também é mais um detalhe.../


(Detalhes/R. Carlos) 




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De Sentidos


Açude Grande/Cajazeiras - PB



"Um dia ainda hei de ser capaz de me agarrar às asas 
de uma águia, e voar com ela. Levarei comigo um 
pedaço de noite na confusão da minha mala. 
Não posso esquecer de levar livros, canetas e papel. 
Raptarei alguns pirilampos, em cáusticas distrações 
nas videiras para que os possa admirar fascinada à noite! 
Levo algumas rosas, alecrim, para que o seu perfume e o 
sentido da Primavera perdurem..."


Há dias em que manifesto aquele anseio de sair por aí, em busca de desapegos (ou apegos), sentir a brisa acariciando minha pele, em qualquer demonstração de sentidos, sem hora pra voltar e sem precisar oferecer satisfações a ninguém. Já quis sumir de qualquer lugar em que estava, desejei chegar ao meu quarto, me enfiar no aconchego dos meus lençóis e nunca mais sair de lá. Já chorei até que meus olhos não fizessem mais questão de abrir e minha respiração se mostrasse fraquejada.

É certo que todos nós temos vontades e medos que jamais, nem eu, nem ninguém, algum dia poderemos explicar plenamente. Há muito o que chorar e mais ainda o que sorrir. Nos altos e baixos da vida, o único ser capaz de aveludar o caminho somos nós mesmos, com a força de vontade. De algum modo, percebe-se que a maior ajuda que obteremos é a que se esconde dentro de nós. A ajuda de pessoas importantes nos conforta, mas a fórmula está conosco, oculta, aguardando a ocasião exata para se apresentar.

Nesses céleres momentos, que eu ainda me desprenda dos medos, dos conceitos, e me sobre espaço para fixar a bagagem. Custa apenas tentar.



"Se me agarrar a essa águia ficarei lá em cima, sim…
Onde o horizonte se confunde com o rendilhado 
Das nuvens que parecem fugir de algum sarilho também.. 
Se é para enlouquecer, quero enlouquecer nas nuvens..."



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Impassível





"Eu pensei ter ouvido você rindo,
Eu pensei ter ouvido você cantar,
Eu pensei ter visto você tentar... 

Mas foi apenas um sonho
Foi apenas um sonho..."


 (R.E.M.-Losing My Religion)


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Desígnio





"Toda noite e toda manhã, alguns para o sofrimento nascem.
Toda manhã e toda noite, alguns nascem para o doce deleite.
Alguns nascem para o doce deleite,
Outros nascem para a noite infinita."

(Filme: Dead Man)


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