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Preâmbulo de um padecer




Fez silêncio! Num desbotar do pensamento, esvaí ante a seta que me lançava amargurados rumores. Era mais um dia comum, os pássaros cantavam, o vento soprava ameno e o crepúsculo nunca se mostrara tão belo, até então, como um aviso de que tamanha calmaria vestia disfarce, guardava surpresas embaladas de dissabores que corroem os sentidos dos mortais. Não pude esquivar-me. Caminhar ensandecido, há tempos se tornou a casa que acolhia as destrezas da minha boemia. De amante galanteador a um sonhador desiludido, vítima do sentimento mais solene que em meu ser delongou, mas que deixara indícios de sua indiferença. De certo este dia adoeceu meus sentidos, no momento em que soube da ingratidão. Sequer veio despedir-se! E aquele amor nunca me pertenceu. Quando dei por conta, meu eu divagava entre lembranças que lançavam furor e pranteei o pesar de minha fragilidade sôfrega. Pensamentos dispararam na busca incessante pelo cheiro que adentrava em meus poros enlaçando nossos beijos cálidos, o abraço firme e a sua forma esplêndida de se entregar, em cada movimento abrasado do seu corpo emanam as poesias mais belas, aprisionadas em paredes, e que a minha mente consegue captar. Seus olhos afáveis resplandecem paixão... Memórias, tudo que me sobrou! Insensatos atos que o coração insiste em acolher. Embora prisioneiro seja eu de um sentimento insano, que vai além do que jamais senti em minhas andanças ao luar boêmio, aceito a penitência. Por quantas vezes me for permitido apreciar as agruras desse círculo de impossibilidades que fulguram meus desejos, que doses de desvarios me sejam servidas em medida certa. Sei que meu chão não pode afundar mais que isto.



"Quando a esperança e a promessa desaparecem
E o sol se esquece de nascer
Eu estou sozinho e com sede
Mas é melhor eu me manter seco
Não mais que dois goles de lágrimas..."



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Nothing Compares 2 U



Sem meio termo, assumo logo que Sinéad O'Connor é uma das minhas cantoras favoritas, o que me torna suspeita a falar sobre ela. Sim, eu sei. Até porque depois de ouvir várias versões da música "Nothing Compares 2 U" o pódio continua em seu poder e ainda mais concreto. Não é minha música preferida da O'Connor, mas é daquelas que embalam os momentos chorosos. 
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“Nothing Compares 2 U” foi composta por Prince para o grupo The Family em 1985, mas só obteve sucesso em 1990 com a irlandesa Sinéad O’Connor, que mostrou toda a doçura de sua voz e seu jeito único de interpretar, elevando a música ao topo do sucesso nas paradas musicais do mundo inteiro, alcançando  finalmente o estrelato. Pode-se dizer que esta foi a canção de sua vida. Seu grande destaque de maior êxito. Inclusive o clipe virou hit na MTV, retratando o sentimento exposto na composição através de closes em sua face e nas paisagens icônicas de Paris. Não à toa que foi a primeira artista mulher a vencer a categoria de Melhor Clipe no MTV Video Music Awards. Disso se tira a combinação perfeita, assim como o queijo e a goiabada. Tipo "almas gêmeas". Paixão desmedida entre ela e a canção de Prince, o eterno Mr. Purple Rain.
Não desmerecendo as outras versões, que ficaram bem à gosto, como: O próprio Prince, The Family, Dune, Stereophonics, All Angels (Recorde imediato de exibição no YouTube quando lançado), Ben Taylor, Me First and the Gimme Gimmes, Northern Kings, Dan Kelly, Shine Toy Guns (Tributo ‘goth-electro’ à Prince) e Dinho Ouro Preto. Mas a versão de Sinéad O’Connor…


  

"Porque nada se compara
Nada se compara a você"

(Nothing Compares 2 U)


Estilosamente diferenciada, O'Connor ainda interpretou outras regravações célebres, se apegou às aventuras no lado folclórico do cenário musical irlandês e virou polêmica ao rasgar a foto do Papa João Paulo II. Aos poucos foi deixando os palcos de lado, mas antes se envolveu em causas políticas. O albúm "Gospel Oak" é dedicado ao povo de Ruanda, Israel e Irlanda. Anos atrás anunciou sua aposentadoria alegando necessidade de cuidar da sua vida espiritual e da sua familia. Mas de certo que sua carreira sempre estará preservada. 


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De versos se fez canto



"Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão,
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração.

Meu coração,
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos,
De versos naufragados
E sem tempo...

Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais."



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Festa junina desse lado de cá...




Em plena festividade épica dos enraizamentos tradicionais nordestinos, me pego degustando elevado índice de ociosidade com recheio de languidez e cobertura da tal sensibilidade dita pelo Zeca Baleiro lá em "Flor da Pele". Não que isso me seja de rara existência, pelo contrário, o meu interior possui a essência dos sentidos plangentes, que aqui e acolá atestam motivos de suas manifestações. Até prefiro que assim o seja! Introspectivamente, são emoções saudáveis que me amadurece mais um bocado. Talvez essa coleção de indisponibilidade pelo festejo junino seja causada pelo meu desejo de voltar às origens e pelo menos dançar o bom forró pé-de-serra, mas hoje o povo não quer mais saber disso, e não se tem mais disso por aqui. (Se tem ou terá, não chegou aos meus ouvidos.) Em se tratando do centenário do nosso grande Luiz Gonzaga, sequer estão fazendo juz ao legado que o rei do baião nos deixou. Isso é decepcionante. Sendo sincera, já faz um tempão que tento excluir esse período do meu calendário, pois se as festividades não estão lá bem ao meu gosto, tudo fica um porre. Não curto muito comida de milho, não suporto barulho de bombas, quero quebrar os paredões que passam tocando "Eu quero tchu, eu quero tcha..." ou "Tchê tcherere tchê tchê..." e seus derivados, e odeio o fogaréu por produzir a fumaça que irrita meus olhos, e pior ainda, por inflamar minhas amigdalas. Isso porque estou sentimental, meio que melancólica, imagina se não estivesse! Dessa vez, preferir ficar em casa não me salvou de tamanho infortúnio, pois esse festejo é interativo, mesmo que você não vá até ele, ele vem até você. Não tem como se livrar do barulho das bombas e da presença intrusa da fumaça. É o jeito suportar, pela boa nordestina que sou!


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Sensatez


“You have to give up  the life you planned to find the life that awaits you. All our life we grow by giving up things by loss and move on. Big things, little things. How we deal with these losses, defines who we are.”

“Você precisa esquecer a vida que planejou para encontrar a vida que te espera. Toda nossa vida crescemos desistindo de coisas por perda e seguimos em frente. Coisas importantes, coisas pequenas. Como lidamos com essas perdas, define quem somos.”


(Citado num episódio de Brothers & Sisters)

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Le vin rouge




“Regardez autour de vous, c’est bien connu: le vin parle! (…)
Il crie, le vin, il vocifère, il vous chuchote à l’orreille.(…)
Chaque bouteille vous découvre le parfum d’autres temps et d’autres pays.
Et chacune vous offre son bouquet de souvenirs.”


"Olhe ao seu redor, é bem conhecido: o vinho fala! (..)
Ele grita, ele vocifera, ele te sussura ao ouvido.(..)
Em cada garrafa você descobre o sabor de outros tempos e de outros países. 
E cada uma te oferece seu bouquet de lembranças.”


(BD Châteaux Bordeaux – 1. Le Domaine)

 

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Recomeçar

 

 

  



"Estava precisando fazer uma faxina em mim, Jogar alguns pensamentos indesejados fora, lavar alguns tesouros que andavam meio que enferrujados, então tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais! Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca dei. Joguei fora a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que nunca li. Olhei para os meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas. Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão: paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste, mas lá também havia outras coisas...E belas!!! Um passarinho cantando na minha janela, aquela lua cor de prata, o pôr do sol...Fui me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças. Sentei no chão, para poder fazer minhas escolhas, joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou, peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as uso, e também joguei fora no mesmo instante! Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que farei com elas, se as esqueço lá mesmo ou se as envio para o lixão.  Aí, fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: O amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos...Como foi bom relembrar tudo aquilo!!! Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurado bem à minha frente, coloquei a capacidade de amar e principalmente a de RECOMEÇAR..." 


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If You Leave Me Now



Conheço essa música desde que me entendo por gente, mas neste momento ela me tocou tão profundamente que dialogou com minha alma, trocou correspondência e prometeu voltar. Sim, talvez eu esteja sensível demais, vagueando de mãos dadas com a nostalgia...






If you leave me now
You'll take away the biggest part of me
Oooh no, baby please don't go

And If you leave me now
You'll take away the very heart of me
Oooh no, baby please don't go
...

(If you leave me now-Chicago)



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O amor e a loucura

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. 
Todos os convidados foram. 
Após o café, a Loucura propôs: 
- Vamos brincar de esconde-esconde? 
- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade. 
- Esconde - esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar. 
Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça. 
-1,2,3,... - a Loucura começou a contar. 
A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. 
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. 
A Alegria correu para o meio do jardim. 
Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. 
A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele de baixo de uma pedra. 
A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. 
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava nonoventa e nove. 
- Cem - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar. 
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. 
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. 
E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez... 
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: 
- Onde está o Amor? 
Ninguém o tinha visto... 
A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. 
Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho! 
A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e prometeu segui-lo para sempre. 
O Amor aceitou as desculpas... 
Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre. 

(Autor desconhecido)





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